IMPÉRIO DAS ABSTRAÇÕES
UM DOS TEMAS mais caros no universo das Ciências Humanas, em que se incluem a História, a Sociologia, a Antropologia, entre outras, são as questões que se desenrolam entre a perspectiva empirista e a idealista. Por estes viés desenvolvem-se os conceitos que são determinantes na construção do conhecimento científico, preponderante no mundo moderno.Antes de se aprofundar a análise destes dois campos, vale ressaltar que entendimentos pode-se ter do que vem a ser empirismo e idealismo. Grosso modo, por empirismo entende-se as construções científicas balizadas nas experiências, ou seja, na apreensão da realidade, seja ela histórica ou contemporânea; quanto ao idealismo, a concepção refere-se aos entendimentos de mundo originários das imaginações, portanto sem referencial materialista.
É provável que se tenha dificuldades para ressaltar a partir de qual destas vertentes são construídos estes ou aqueles conhecimentos. Dá-se, num primeiro instante, o questionamento se, de fato, é importante perguntar-se sobre sua relevância. Uma resposta, embora não definitiva, mas que supõe-se esclarecedora, nos levaria a indagar sobre o papel do conhecimento científico, sabendo não ser este exclusivo. Logo, o que se chega é o entendimento de que a Ciência postula-se como um dos mais importantes determinantes do comportamento humano, característica que se observa nas suas elaborações cada vez mais complexas e imperantes.
Por outro lado, inclui-se aqui uma outra discussão que merece atenção: a relação dos conhecimentos de outros ramos da Ciência, como as Exatas e Biológicas, com o extenso campo das Humanas. Naturalmente, que por si só, este debate merece uma análise mais profunda, mas o que não se pode negligenciar é o fato de as Ciências Humanas estarem diretamente presentes na construção destes diferentes saberes.
Assim, aludindo ao objetivo maior deste pequeno texto, propõe-se pensar na profunda distinção entre a produção do conhecimento balizado no empirismo e aquele construído fruto do idealismo. O caráter empirista não dispensa a historicidade. Afinal, balizando-se nas construções humanas no tempo e no espaço objetiva-se aperfeiçoar as relações humanas em seus diferentes aspectos, do natural ao social. Por este caminho importantes obras foram construídas. Pode-se salientar as contribuições do alemão Karl Marx, do inglês E.P. Thompson e do brasileiro Gilberto Freye, entre tantos outros.
Um elemento destacador do empirismo é a real valorização das experiências humanas concretas, elemento decisivo para se identificar as diversidades humanas, aspecto fundamental para o entendimento de nossa existência. Dito de outro modo, só através deste campo do conhecimento humano é possível dar voz também aos povos que classicamente foram excluídos da história humana de caráter auto-centrado.
Na outra vertente, a idealista, vive-se o ápice das abstrações humanas, quando o real cede lugar ao desejável, ou simplesmente impõe-se o determinismo daquilo que se imagina ser. A de se convir que não seríamos, provavelmente, capazes de resistir durante muito tempo a dureza, nua e crua, da realidade tal qual ela é. Que, por esta perspectiva, o imaginário ocupa um lugar favorável e irredutível, pois, por ele nos permitimos otimistas para viver. No campo da Ciência, provavelmente, foi a especulação desmedida, associada a outros instrumentos, que permitiu ao homem tantos avanços e conquistas. Não seria insano pensar, então, que caminham juntos o empirismo e o idealismo.
De outra forma, que estejamos também atentos para os riscos do império das abstrações, quando as verdades atropelam a dignidade humana e nos tornamos reféns incondicionais de elaboradas fórmulas que sugerem entendimentos finais da humanidade, como quis Jean-Jacques Rousseau com o homem virtuoso do pacto social e Max Weber com a superioridade racional do europeu. Pois, assim, não teremos um mundo real construído para o bem estar de todos, e, sim, permaneceremos ao bel-prazer de senhores que constroem escravos, como assim fez Hegel.
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