19 DE OUTUBRO DE 1924: nasce a Vila de Manga*
Paulo Robério Ferreira Silva
Historiador
Especialista em História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas
Mestrando em Ciências Sociais pela PUC Minas
Freqüentemente tenho sido indagado quanto à polêmica das datas 07 de Setembro e 19 de Outubro. No imaginário popular, ao que tudo indica, tal polêmica provém das acirradas questões políticas que corriqueiramente dividem a população em relação tanto aos diferentes temas do cotidiano, como quanto à história local. Questões políticas à parte, e ainda muito menos pessoais, o que consta da história é que para que o município de Manga fosse efetivamente criado fora editada em 07 de Setembro de 1923 a Lei Estadual nº 843 que previa a instalação do município em 19 de Outubro de 1924. Dado e processado conforme determinado, nascia o município de Manga nesta referida data, contando, além da Vila de Manga (sede do município), com os distritos de Matias Cardoso e Japoré (atual Brejo São Caetano), conforme informa a Lei nº 1, de 31 de Outubro de 1924 da Câmara Municipal de Manga.
De outro modo, incontestes são os dados contidos na Ata do Conselho Consultivo da Prefeitura Municipal de Manga de 19 de Outubro de 1931, em que se registrou a comemoração oficial do sétimo aniversário “da elevação de Manga a categoria de Vila”. Às dezoito horas no prédio da Prefeitura Municipal (vide figura 1) se reuniram os membros do referido conselho: Domiciano Pastor Filho (presidente), Augusto Eufrásio da Silva, João Pereira Costa, Francisco José Barbosa, José de Faria Oliveira e José Belém de Souza, além de outras autoridades locais, professores, alunos, membros da milícia legionária, a filarmônica local Arthur Bernardes e elevado número de pessoas da comunidade, para efetivarem as comemorações alusivas. Nesse momento solene, evidenciou-se a conquista de emancipação de Manga do município de Januária em face dos esforços políticos dos líderes locais, sobretudo, Domiciano Pastor Filho e da íntima relação política deste com o então presidente do Estado de Minas Gerais, Olegário Maciel, que fora, na ocasião, ovacionado pelos partícipes.
Desfeito o “engano”, e ante a falácia política, o 19 de Outubro – data ligeiramente esquecida fora da arena vaidosa do mando – bem que poderia ganhar outro significado. Quem sabe, não fosse de todo inoportuno, no momento de comemorarmos a autonomia administrativo-política fosse relevante discutirmos também nossa autonomia do bem-estar social? Não seria apropriado perguntarmos como os interesses e as necessidades sociais são atendidas pelos poderes públicos legais? Ou ainda, como estamos dialogando com esses poderes, considerando que eles são apenas e simplesmente nossos funcionários? Ou, para ser mais preciso, não seria mais proveitoso perguntarmos qual a correspondência daquilo que realmente precisamos com aquilo que é ofertado por quem tem que ofertar?
Se não fizermos estas perguntas – e não apenas –, seguramente não vamos obter resposta alguma. Se o 19 de Outubro continuar reduzido a uma débil disputa da vaidade, continuará sem sentido a autonomia administrativo-política do nosso município. Se, por fim, não trouxermos de volta os homens e pusermos neles um pouco de sangue, como propõe Homans, continuaremos, como desde o 19 de Outubro de 1924, meros expectadores de nossa própria história.
* Comente este texto por meio do e-mail: pauloroberio@ig.com.br
Paulo Robério Ferreira Silva
Historiador
Especialista em História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas
Mestrando em Ciências Sociais pela PUC Minas
Freqüentemente tenho sido indagado quanto à polêmica das datas 07 de Setembro e 19 de Outubro. No imaginário popular, ao que tudo indica, tal polêmica provém das acirradas questões políticas que corriqueiramente dividem a população em relação tanto aos diferentes temas do cotidiano, como quanto à história local. Questões políticas à parte, e ainda muito menos pessoais, o que consta da história é que para que o município de Manga fosse efetivamente criado fora editada em 07 de Setembro de 1923 a Lei Estadual nº 843 que previa a instalação do município em 19 de Outubro de 1924. Dado e processado conforme determinado, nascia o município de Manga nesta referida data, contando, além da Vila de Manga (sede do município), com os distritos de Matias Cardoso e Japoré (atual Brejo São Caetano), conforme informa a Lei nº 1, de 31 de Outubro de 1924 da Câmara Municipal de Manga.
De outro modo, incontestes são os dados contidos na Ata do Conselho Consultivo da Prefeitura Municipal de Manga de 19 de Outubro de 1931, em que se registrou a comemoração oficial do sétimo aniversário “da elevação de Manga a categoria de Vila”. Às dezoito horas no prédio da Prefeitura Municipal (vide figura 1) se reuniram os membros do referido conselho: Domiciano Pastor Filho (presidente), Augusto Eufrásio da Silva, João Pereira Costa, Francisco José Barbosa, José de Faria Oliveira e José Belém de Souza, além de outras autoridades locais, professores, alunos, membros da milícia legionária, a filarmônica local Arthur Bernardes e elevado número de pessoas da comunidade, para efetivarem as comemorações alusivas. Nesse momento solene, evidenciou-se a conquista de emancipação de Manga do município de Januária em face dos esforços políticos dos líderes locais, sobretudo, Domiciano Pastor Filho e da íntima relação política deste com o então presidente do Estado de Minas Gerais, Olegário Maciel, que fora, na ocasião, ovacionado pelos partícipes.
Desfeito o “engano”, e ante a falácia política, o 19 de Outubro – data ligeiramente esquecida fora da arena vaidosa do mando – bem que poderia ganhar outro significado. Quem sabe, não fosse de todo inoportuno, no momento de comemorarmos a autonomia administrativo-política fosse relevante discutirmos também nossa autonomia do bem-estar social? Não seria apropriado perguntarmos como os interesses e as necessidades sociais são atendidas pelos poderes públicos legais? Ou ainda, como estamos dialogando com esses poderes, considerando que eles são apenas e simplesmente nossos funcionários? Ou, para ser mais preciso, não seria mais proveitoso perguntarmos qual a correspondência daquilo que realmente precisamos com aquilo que é ofertado por quem tem que ofertar?
Se não fizermos estas perguntas – e não apenas –, seguramente não vamos obter resposta alguma. Se o 19 de Outubro continuar reduzido a uma débil disputa da vaidade, continuará sem sentido a autonomia administrativo-política do nosso município. Se, por fim, não trouxermos de volta os homens e pusermos neles um pouco de sangue, como propõe Homans, continuaremos, como desde o 19 de Outubro de 1924, meros expectadores de nossa própria história.
* Comente este texto por meio do e-mail: pauloroberio@ig.com.br
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