domingo, 5 de agosto de 2007

HISTORICIZAR PRA QUÊ?


Num momento de tantas e vertiginosas mudanças, a exemplo das alterações de necessidades individuais promovidas pelo avanço tecnológico patrocinado pela economia capitalista dominante; dos recorrentes desvios de dinheiro público apresentados quase que diariamente pela Polícia Federal, que têm modificado sensivelmente nossas concepções políticas, republicanas, cidadãs e democráticas; dos intermináveis conflitos políticos mundiais – o caso da Petrobrás na Bolívia, as intervenções “bolivarianas” de Hugo Chavés da Venezuela na América e dos “insolúveis” conflitos no Oriente Médio, por exemplo, vem-se à tona uma necessidade premente para a humanidade: como se inserir nesta “louca” realidade sem historicizar a existência humana?
Para compreender melhor o que significa historicizar vamos propor o seguinte exercício: é possível, de fato, entender a realidade por ela mesma? É possível elaborar metas (planejar o futuro desejável) sem um conhecimento intenso do presente e um auto-reconhecimento existencial? Se “penso, logo existo”, penso a partir de quê? O que me orienta? Segundo o historiador Jörn Rüsen o agir humano é sempre determinado por significados e é intencional. Estas experiências, por sua vez, orientadoras das práticas humanas no tempo, são sempre experiências do passado. Sendo assim, o conhecimento histórico – produzido pela Ciência da História –, torna-se inseparável da própria existência humana. A inteligibilidade do dia-a-dia fundamenta-se exatamente nos saberes históricos que, por sua vez, canalizam os demais saberes humanos.
Por esta perspectiva, pensa-se, então, que historicizar o cotidiano (refletir a existência a partir do histórico), buscando no passado às informações necessárias para compreender melhor o presente e, por tabela, projetar de forma mais consistente o futuro desejado, é uma evidência que não pode continuar sendo negligenciada pelas instituições sociais públicas e privadas. Cabe, exatamente, as escolas, as igrejas, as associações e afins, aos órgãos públicos, aos políticos, aos formadores de opinião pública, ao indivíduo democratizado, propor um discurso em que se pense a realidade como concomitante de uma série de eventos que se entrelaçam processualmente e que, portanto, recebem interferências diretas dos sujeitos históricos – o homem em seu ambiente.
Continuaremos repetindo “inconscientemente” as mesmas práticas que geram apenas exclusão social, econômica e política, simplesmente, porque a crítica não pode existir por ferir a realidade daqueles que se enclausuram no poder? Ou, por outro lado, somos, de fato, livres para participarmos ativamente na construção do mundo que consideramos melhor para todos? Longe da pretensão de responder a estas indagações, penso que apenas o sujeito “historicizado” (sabedor de sua existência histórica) pode ser capaz de melhor se inserir nesta realidade e responder: historicizar pra quê?

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito boa abordagem! parabéns! Sou estudante de Serviço Social e o exercício da historicização é contínuo não só na produção de connhecimento da profissão, mas, principalmente, na prática profissional. Somente através da historicização é que chegamos aos fios "invisíveis" determinantes da realidade vigente.