A AUSÊNCIA DO AMANHÃ
Paulo Robério Ferreira Silva
Prof. de História e Especializado em
História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas
pauloroberio@ig.com.br
Por mais difícil e duro que seja, é preciso conceber o amanhã. Não podemos negar que é muito mais cômodo nos escondermos no passado, estatizar o tempo, eliminar a dúvida e o conflito, enfim, buscar o paraíso, em que apenas aquilo que fomos e o que somos é o que interessa. Assim, é mais fácil. Uma série de situações são desviadas, negadas, negligenciadas, ou simplesmente desconsideradas.
Paulo Robério Ferreira Silva
Prof. de História e Especializado em
História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas
pauloroberio@ig.com.br
Por mais difícil e duro que seja, é preciso conceber o amanhã. Não podemos negar que é muito mais cômodo nos escondermos no passado, estatizar o tempo, eliminar a dúvida e o conflito, enfim, buscar o paraíso, em que apenas aquilo que fomos e o que somos é o que interessa. Assim, é mais fácil. Uma série de situações são desviadas, negadas, negligenciadas, ou simplesmente desconsideradas. Ao pensar assim, incisivamente, preteremos a radicalização. Mas para não ser assim tão duro, vejamos algumas situações que nos possibilite entender melhor o quanto é perigoso à ausência do amanhã.
O filósofo e matemático mineiro Eduardo Giannetti, PhD pela Universidade de Cambridge, E.U.A., autor de vários livros, entre eles O Valor do Amanhã, faz um importante questionamento: devemos cuidar do momento ou cuidar do amanha? Argumenta que em jogo estão os juros. Assim, a conta tem que ser paga. Os juros serão cobrados agora ou depois. Neste rápido comentário, despretensioso, diga-se de passagem, pode-se perceber que tal realidade esta implícita em nossos pensamentos, práticas e ações. Somos colocados cotidianamente diante deste dilema. Como salienta ainda, consciente ou inconscientemente, o fato é que decisões são tomadas.
Para a Ciência Histórica o movimento é outro. Interessa-nos muito mais o passado. Não nos entenderíamos na contemporaneidade apenas, ou seja, o presente por si só não se explica. Então, são as informações do ontem que vão explicar o hoje. E o amanhã, estaria ausente? Muitos historiadores vão responder que o amanhã não é problema nosso. Outros, vão dizer que “a historiografia não é ingênua” (Jacob Gorender). Tudo tem propósitos.
Porém, Michel Foucault, filósofo francês, alerta para uma outra situação. Seria o homem Eu ou Ser. Somos identidade – aquilo formado das idealizações baseadas nas experiências anteriores, ou somos Devir – estamos em permanente construção, estamos sempre por vir?
Edward W. Said, intelectual árabe-libanês, por sua vez, fala-nos da necessidade de considerarmos a liberdade e as experiências humanas como fundamentos para compreensão do mundo – isto nos remete, então, aos fundamentos da realidade.
Como então nos situarmos? Entre o hoje e o amanhã? Entre o passado e o presente (ou, passado, presente e futuro)? Na identidade imaginária ou na realidade, na constância, no Devir?
Edward W. Said, intelectual árabe-libanês, por sua vez, fala-nos da necessidade de considerarmos a liberdade e as experiências humanas como fundamentos para compreensão do mundo – isto nos remete, então, aos fundamentos da realidade.
Como então nos situarmos? Entre o hoje e o amanhã? Entre o passado e o presente (ou, passado, presente e futuro)? Na identidade imaginária ou na realidade, na constância, no Devir?
Por outro lado, sem historicizar não conseguiremos ultrapassar as barreiras do imediato, do momentâneo, da interpretação superficial das realidades, que não deixam de ser históricas, ao mesmo tempo, que contemporâneas.
Com qual delas ficar? Todas, impossível. Nenhuma, não deixa de ser provável. Afinal, o objetivo aqui não foi estabelecer verdades irredutíveis. Não há necessidade de extremar: isto em oposição a aquilo. Mas, acredito, ser perigoso a ausência do amanhã.
Com qual delas ficar? Todas, impossível. Nenhuma, não deixa de ser provável. Afinal, o objetivo aqui não foi estabelecer verdades irredutíveis. Não há necessidade de extremar: isto em oposição a aquilo. Mas, acredito, ser perigoso a ausência do amanhã.
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