quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A SUPERAÇÃO DOS PARADIGMAS

Paulo Robério Ferreira Silva
Especialista em História e Cultura Afro-brasileira pela PUC Minas
pauloroberio@ig.com.br


EM PRINCÍPIO, parece soar estranho a proposta de superação de paradigmas, quando sabemos que é exatamente através deste recurso teórico que identificamos as coisas e entendemos o mundo. Além do devaneio, no entanto, a proposta é fazermos algumas reflexões simples que nos permita fugir do imperativo da ordem, nada mais do que isso, embora saibamos também que na desordem nada funciona.
No contexto científico, paradigma relaciona-se a modelos matrizes em que as experiências e experimentações vão se apoiar. Como o uso não restringe-se apenas ao universo da pesquisa, os paradigmas consolidam-se também em outros campos, inclusive no senso comum. É através deles, por exemplo, que busca-se entendimento para as relações sociais, que confundem-se muitas vezes como processos civilizatórios; que reduzimos nossa espiritualidade aos aspectos religiosos fundamentados nos movimentos políticos-ideológicos; ou ainda, que nos seduzimos pela modernidade e a aparente opulência do outro. De todo modo, a própria existência humana esta condicionada aos paradigmas. Por que, então, tentar a superá-los?
Num primeiro momento, poderíamos pensar em um movimento intelectual que nos traria prazer; ou até mesmo num exercício despretensioso de superação das realidades. Michel Foucault, que ganhou visibilidade popular no Brasil depois do filme Tropa de Elite, sugere em uma de suas principais obras, Arqueologia do Saber (2007), a necessidade de se pensar as questões humanas, da consciência, da origem e do sujeito. Se considerarmos este viés, a proposta se torna mais sólida e até gratificante.
Então, a superação de paradigmas, diga-se: extremamente complexa, configura-se como substrato para a construção de novos modelos de sociabilidade. Impõe-se a emergência de num esforço abstrato coerente e pujante para que a contemporaneidade tome formas que privilegiem a liberdade, a diversidade, a autonomia e a dignidade humana.
No afã dos modelos dados e das verdades estabelecidas e que se estabelecem vedam-se os olhos para o passado histórico; atrofia-se a mobilidade; poda-se a motivação. E no transcorrer da existência fecha-se as portas para o eterno sonho: a liberdade. Não a liberdade uníssona dos “grandes” pensamentos universais, que reduz o mundo a uma jogatina capitalista apresentada por um suposto bem estar consumista eterno, mas aquela que nos permite entender como fora da democracia é possível produzir riquezas – o caso da China; ou como em nome da “liberdade” forjada nas abstrações imperialistas reduz-se um país a uma catástrofe sem fim, como ocorre no Iraque. Ou ainda, como para se manter o bem-estar de pequenos grupos elitizados transforma-se milhões de pessoas em meros coadjuvantes da história.
Se não é a liberdade, o fundamento maior que sustenta os esforços humanos para superar as incertezas da existência, penso que toda energia dispensada é vã – chegaremos, por fim, a lugar nenhum.
Mas, convenhamos, a liberdade não é também um paradigma? E sendo como tal, o jogo torna-se difícil, com já dito. Então, o que nos sustenta nesta louca aventura é a possibilidade da escolha – a autodeterminação, tão cara a existência humana.
Como se trata de um “exercício” vamos tomar de Foucault (2007) a seguinte construção para justificarmos definitivamente a necessidade de superação de paradigmas: “Essas formas prévias de continuidade (paradigmas), todas essas sínteses que não problematizamos e que deixamos valer de pleno direito, é preciso, pois, mantê-las em suspenso. Não se trata, é claro, de recusá-las definitivamente, mas sacudir a quietude com a qual as aceitamos; mostrar que elas não se justificam por si mesmas, que são sempre o efeito de uma construção cujas regras devem ser conhecidas e cujas justificativas devem ser controladas; definir em que condições e em vista de que análises algumas são legítimas; indicar as que, de qualquer forma, não podem mais ser admitidas”.

Um comentário:

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=qAJL5vrGNdc esse é o blog roberio que aluna alessandra postou para o senhor baixar o video do trabalho.estou agradecida a sua satisfaçao bjs!!!!!!